
Ao iniciarem a leitura deste post vão ficar com a sensação errada, que se trata de um texto escrito por uma mãe que já não vê a filha à séculos e que devido à distância e ás saudades se tornou melancólica e resolveu soltar uns desabafos na tentativa de acalmar o coração em sofrimento. Nada disso!
Eu não estou com a minha filha há cerca de 3 horas e ela não está a mais que uns 40 minutos de distância. E claro, se Deus quiser, daqui por umas horitas estará de novo juntinho de mim. E é por isso mesmo que este post é louco e fora de propósito. Mas, eu penso, aliás tenho esperança, que pelo menos quem já é mãe, me possa entender e julgar este meu post menos louco e, quiçá até, dar-lhe até um certo sentido.
Estes últimos dias eu tenho andado numa actividade que me tem afastado do local de trabalho, a semana da Floresta. Como o nome indica trata-se de uma actividade desempenhada na floresta/serra, a poucos kilometros daqui mas que ainda assim, me obriga a estar um dia inteiro sem vir a casa tendo portanto que levar um almoçito e um lanchinho. Até aqui tudo bem.
Ora não é que a minha filha além de ter ficado preocupada achando que só me via cerca das 11 e 30m quando regressa-se das aulas, ainda tem a preocupação de me arranjar os melhores e mais saborosos petiscos para eu levar para a actividade. Pois é, eu sei que sou muita cabeça no ar e digo sempre que antes de partir compro qualquer coisa no café e levo, mas, acham que ela me deixa sair de casa sem supervisionar o que eu levo?!Nada disso! Ela mesmo tem feito questão de andar à procura das melhores frutas, dos iogurtes mais vitaminados... ah... sem esquecer o belo bolinho que me faz imensa falta! Isto é normal?
Eu digo isto do fundo do meu coração; eu não sei o que fiz para ter esta filha. A mais doce, a mais querida, a mais ESPECTACULAR que uma mãe podia desejar. Agora este cuidado todo, ao mesmo tempo que me faz sentir a mais orgulhosa das mães, por outro lado deixa-me triste. È que eu nunca fui para ela tão boa mãe como ela é boa filha para mim. Não fui! Eu tenho consciência disso!
Sempre fui muito exigente, muito dura com ela. Nunca a apapariquei da maneira que ela me apaparica a mim... e isso deixa-me triste. E foi por isso que, chegando cansada da serra e depois de um banho tomado, ao tentar descansar meia horita em cima da cama, me vieram as lágrimas aos olhos ao pensar em tudo o que esta menina me faz.
Tenho tanto receio de não ter sido a mãe que ela merece. De ter pensado mais em mim e ter esquecido dela... Tenho tanto receio de ter errado na minha vida e com isso a ter prejudicado. Tenho tanto medo que a vida não lhe tenha dado a mãe que ela merecia ter. Ou até mesmo que o futuro lhe reserve um destino menos bom que aquele a que tem direito.
E ao mesmo tempo estou com tanta saudade dela. Ansiosa para lhe dar um enorme abraço e dizer-lhe que pode contar comigo sempre. Ansiosa para que chegue e eu possa agradecer-lhe tudo o que tem sido para mim. Estou com tanta saudade e só não a vejo a 3 horas... Caramba da miúda... deixa-me sempre assim... sem palavras.
E agora quero agradecer a estas queridas amigas Sandra e Cilinha estes miminhos que me ofereceram e que eu distribui por todos vocês.



Obrigada a vocês gandas malucas!