
Não sei se se recordam há 2 post atrás eu ter-me referido a uma história bizarra que acontecera durante o meu internamente e que contribuiu para eu mudar um pouco a minha maneira de pensar. È uma história um pouco arrepiante, e que talvez a alguns de vós não diga nada.
Ainda assim gostava de partilha-la por acreditar que só temos a aprender alguma coisa com ela. Quem não acredita pode tirar ilações, sobre a verdadeira natureza do comportamento humano. Quem acredita, fica com a ideia reforçada, que para determinado tipo de pessoas, nada é impossível.
Estava eu já com algum tempo de internamento quando uma senhora de meia idade com um rosto bondoso e um temperamento meigo e doce chegou também ela num estado bastante, triste, digamos assim. Os primeiros dias não convivi muito com ela, mas ao fim de algum tempo, e vendo-a sempre pronta a ajudar mesmo sem poder, comecei a afeiçoar-me a ela e comecei a retribuir a ajuda que ela por vezes dava aos outros, mas não tinha para ela.
Foi então que um dia, ao ver-me triste e sozinha no quarto, esta se abeirou (era assim que ela falava por ser do norte) se aproximou de mim e tocando o meu rosto me disse ter muita pena de mim. Pediu-me desculpas por abordar um assunto tão delicado, uma vez que nem sequer sabia quais eram as minhas crenças religiosas mas que já não podia calar mais o que tanto a atormentava.
Obviamente quis saber o que se passava. Foi então que depois de me pedir descrição para o resto do pessoal internado, esta me contou a sua "história". Disse-me que desde cedo, sentira possuir um dom para "pressentir" o mal de outras pessoas, ou seja, mais propriamente, quando estas estavam com problemas que os médicos não podiam resolver. Falou que como forma de aprofundar estes conhecimentos, há pouco tempo tirara um curso de medicinas alternativas.
E como para provar que falava a verdade, esta acabou resumindo grande parte da minha história de vida, coisas que eu nunca revelara a ninguém. Disse-me que tinha conhecimento de um acontecimento especial que ia acontecer no meu trabalho (a inauguração de um novo edifício) que sabia o quanto este era importante para mim, e que este era um dos principais motivos pelo qual eu estava ali e a medicação não estava a resultar. Por motivos pessoais eu não posso explicar o porquê da minha ânsia em estar presente, e o quanto estar afastada do trabalho naquele momento me afectava.
Como se pode calcular, e depois de ouvir tudo isto eu quis saber o que se passava. O que é que esta mulher que eu não conhecia de lado nenhum sabia sobre mim e que eu ignorava. Foi então que esta me disse, como se isto lhe custasse tanto a ela como a mim, que eu estava com "mau olhado". Disse que eu era uma pessoa que atraía com muita facilidade a inveja das pessoas, e que no meu trabalho havia gente que me queria tão mal que se dera ao trabalho de me fazer um " arranjinho" para que eu não pudesse estar presente nesse dia da inauguração do novo edifício.
Eu não posso dizer se estava branca, verde, ou amarela a única coisa que eu sei é que estava transtornada. O tempo que inicialmente o psiquiatra me dera para a cura já estava ultrapassado, a inauguração estava a chegar.... e sem saber porquê os medicamentos não melhoravam o meu estado.
Foi então que a senhora me perguntou se eu permitia que ela me ajudasse.E porque não, pensei eu? Não tinha nada a perder e esta até fizera questão de frisar a palavra ajudar. Pediu que me despisse e que me deita-se na cama ao que eu cedi sem saber muito bem o que esperar. Esta começou por massajar-me o pescoço e quando o fez, foi como se me tivesse espetado uma faca, tal a dor que senti.
Esta não se surpreendeu, pelo contrario, segundo ela esta era a prova viva desse "bruxedo". A senhora colocou-me então uma toalha por debaixo da cabeça que eu de momento não percebi o porquê mas nada disse. Pediu-me para eu ir lentamente me concentrando em vários nomes de pessoas que pudessem estar comprometidas nesse "trabalhinho" do qual fora vitima.
Disse-me para começar pelas menos prováveis e ir continuando fixando-me nas pessoas e nomes. Assim o fiz. Pensei em muitos nomes mas apenas quando me concentrei no nome de uma colega de trabalho que até há bem pouco tempo atrás eu via como uma pessoa amiga e companheira que da minha garganta deu em sair (desculpem) arrotos de tal maneira nojentos como nunca me tinha.
Pedi desculpa claro, mas a senhora disse que esse era um sinal, de que aquela pessoa me lançara um "mau olhado" simplesmente olhando para mim. Pediu-me para que continua-se e então foi a tragédia total.
Foi ao pensar numa outra colega, (esta sim já digna de suspeita por já se lhe ter sido atribuído esse tipo de atributos),que no meu estômago se desenvolveu-se um nó que parecia queimar-me e rapidamente veio desabar em cima da toalha. Vomitei-me toda. Jamais vira algo assim, jamais vomitara algo parecido. Era como se apenas me tivesse alimentado de carvão, tudo era preto e nojento.
Então a senhora disse-me: "Foi essa!" Ambas estão igualmente desesperadas para que não apareça nesse dia, mas a última chegou mesmo a preparar-lhe um "trabalhinho". Naquela noite chorei, chorei, chorei até não poder mais. Como é que a minha colega de há 5 anos, uma pessoa que contra tudo e todos eu defendia por ser amiga, por ser uma pessoa de fácil trato, leal. E que acima de tudo eu acreditava gostar de mim, me podia querer tanto mal, podia ter inveja da minha vida.
Fiquei destroçada principalmente com essa. O "trabalhinho" da outra não me surpreendeu tanto mas chocou-me igualmente. Contudo, e antes de se retirar, a senhora perguntou-me: "Voçê aceita a minha ajuda para ir a essa inauguração?""Claro que sim!" Respondi de imediato. E como este post já vai longo, eu vou contar-vos o que se passou no próximo!